terça-feira, 5 de junho de 2012

EXPOSIÇÃO Síntese / A.C. Coelho de Assis



EXPOSIÇÃO Síntese
A.C. Coelho de Assis

Simplificar, enxugar, economizar, reduzir, e contraditoriamente, multiplicar possibilidades. Eis que a síntese acontece. Fazer com que os sentidos, percebendo as variações do mesmo tema, encontrem semelhanças e identidades distintas. Nesta série de tridimensionais e pinturas de A.C. Coelho de Assis, a síntese se dá na forma, na cor, e porque não dizer no tema, já que tem como referencial um fragmento do todo: a cultura local. As carrancas se desdobram em triângulos, os triângulos em barcos e velas que novamente se desdobram em carrancas e quando se dá conta, é a parte e o todo que se está vendo, num jogo de recombinações de elementos primordiais. É olhar a mesma composição e ter vertigem, não conseguindo definir o que de fato se vê.

Andar em linhas divisórias, dando ao observador a sensação de estar na corda bamba, é uma das propostas desta exposição. O que de fato está diante dos olhos? A. C. Coelho de Assis propõe uma brincadeira de montar, um quebra-cabeça onde o observador vai encontrar diferentes arranjos na mesma composição. Uma pesquisa que tenta esgotar as possibilidades construtivas dos símbolos ribeirinhos a partir de uma forma única.

Contemporâneo também são os indícios do interesse representativo do artista em universalizar o local através da imagem da carranca, que ganha reforço com os barcos e as velas. É ela, símbolo imediato da cultura local, que descomposta apresenta a A. C. Coelho de Assis a figura base do triangulo e o mantém coerente com o tema que perpassa toda sua pesquisa plástica. Nas entrelinhas, é no rio São Francisco, espelho dos ribeirinhos, que se encontra a síntese da temática explorada por esse ribeirinho artista ao longo da sua trajetória. Tudo parte do rio e volta para ele independente da proposta dos seus trabalhos. Desta vez, ele foi buscar na síntese formal o meio para voltar ao rio, apresentando nesta exposição material que vale a pena ser visto repetidas vezes, seja para fazer novas descobertas ou para sentir-se cada vez mais fora do eixo; Afinal, a arte existe para desestabilizar, romper com o olhar acomodado, colocar em dúvida, e ainda assim nos deliciar com um mundo que se abre a nossa frente.

Edneide Torres
VERNISSAGE:  06 de Junho às 19h
CONTATO(81): 32674410
LOCAL: GALERIA DE ARTES SESC CASA AMARELA
Av. Professor José dos Anjos, 1109 - Mangabeira  Recife - PE, 52110-130

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